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A luz é fraca. A lâmpada parece estar dando sinais de que está queimando. Mas nem ligo se de repente tudo ficar escuro. Estou apenas buscando me encontrar entre as palavras, meus pensamentos oscilam tal qual essa luz, ora em fase intensa, ora à meia fase. Às vezes quero dormir, se me deito, meu coração se agita e faz-me levantar. A TV fala sozinha no outro cômodo, mas dá a impressão de que tenho companhia. Deixo também. Cadê, palavras? Cadê o rosnado da solidão? Falaram-me que a solidão era dura, mas nem barulho ela faz. Só a TV…
De novo. Vasculho minha mente ao oscilar da luz, lembranças líquidas começam a verter por meus olhos. Sinto o cheiro do café novo passando, da comida que andei fazendo. O cheiro do mato que o vento causado pela velocidade do carro soprava em meu rosto quando eu ia pro meu refúgio infernal. Há anos, e parece que foi ontem. A palavra vácuo representa alguma coisa para mim. Parece que os anos não passaram, mas quando regresso tudo está diferente. Tenho mania de fechar os olhos e imaginar que ainda estou lá. Que ainda posso recomeçar. Deitada na minha cama de solteira, ouvindo os cri cris dos grilos do lado de fora da janela, o perfume de dama da noite passando pelas frestas da janela. Não quero abrir os olhos, não quero abrir. Me disseram que era inevitável. Meus bichos de pelúcia, o medo e meus segredos. O cheiro da minha roupa de cama, a casa que nunca ficou pronta. O arrastar de chinelos em minha direção, o acender da luz pra me conferir. E meus olhos fechados. Abracei-me forte. Afago carinhoso, beijo doce em minha face e o pedido para levantar. Ainda é cedo, quero ficar mais, está frio, muito frio. Sei que lá fora há gelo por sobre a grama e ainda está escuro.
É a vida…Eu pararia ali naquele tempo. Eu renunciaria a todos esses anos só para poder recomeçar. Só faria questão – se eu pudesse voltar no tempo, de manter em meu coração uma única informação, das que obtive nesses meses passados. Apenas uma única. Porque quem sabe, assim, teria dado tempo de fazer esses anos realmente valerem à pena.
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Si Meneghinni
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