Feeds:
Posts
Comentários

Hoje briguei com meu coração. Ele está de castigo. E  nessas discussões, entendi a mim mesma, um pouco mais.

Entendi que sentimento não se entende. Não se descreve e nem se aprende. Apenas se sente.

Entendi que amor não precisa ter motivo. Ele acontece. Ele não é complicado, ele é simples. Complicado é desvanece-lo após arraigado.

Entendi que amor não precisa de presença, basta conhecer a essência. E que momentos difíceis da vida são solos férteis pro amor nascer.

Entendi também que quando o coração decide amar sem condição, ele fica muito teimoso. Quando se pensa que o domou, eis que se vê o engano.

Entendi que o amor incondicional existe sim. E passei a acreditar mais ainda no amor. Porque quem ama não impõe condições.

Entendi que esse amor incondicional ama até os defeitos. Ou com os defeitos. E suporta tudo…só para não se perder.

Entendi que o amor vai além das palavras, das crenças e das opiniões. E que não importa, ele anda de mãos dadas com a esperança.

Entendi que na hora do aperto do coração,  Deus te socorre e coloca amigos em teu caminho – mesmo você não merecendo.

Entendi que não menti mesmo quando disse que esse amor seria eterno em meu coração. Não, nem poderia mentir a mim mesma

E será, porque há marcas que não se apagam. Por muito menos tenho recordações profundas.

Mas por fim…entendi que não está em minhas mãos por mais que lute. Entendi que é a hora de apenas escrever e silenciar meu coração.

Entendi que há palavras que não precisam ser ditas, mas que estão claras lá. Então, abaixo minha cabeça e digo para esse meu coração bandido:

- Está de castigo, por não ter culpa. Por apenas amar.

*

Si Meneghinni

*


Entre(mente)

*
A luz é fraca. A lâmpada parece estar dando sinais de que está queimando. Mas nem ligo se de repente tudo ficar escuro. Estou apenas buscando me encontrar entre as palavras, meus pensamentos oscilam tal qual essa luz, ora em fase intensa, ora à meia fase. Às vezes quero dormir, se me deito, meu coração se agita e faz-me levantar. A TV fala sozinha no outro cômodo, mas dá a impressão de que tenho companhia. Deixo também. Cadê, palavras? Cadê o rosnado da solidão? Falaram-me que a solidão era dura, mas nem barulho ela faz. Só a TV…
De novo. Vasculho minha mente ao oscilar da luz, lembranças líquidas começam a verter por meus olhos. Sinto o cheiro do café novo passando, da comida que andei fazendo. O cheiro do mato que o vento causado pela velocidade do carro soprava em meu rosto quando eu ia pro meu refúgio infernal. Há anos, e parece que foi ontem. A palavra vácuo representa alguma coisa para mim. Parece que os anos não passaram, mas quando regresso tudo está diferente. Tenho mania de fechar os olhos e imaginar que ainda estou lá. Que ainda posso recomeçar. Deitada na minha cama de solteira, ouvindo os cri cris dos grilos do lado de fora da janela, o perfume de dama da noite passando pelas frestas da janela. Não quero abrir os olhos, não quero abrir. Me disseram que era inevitável. Meus bichos de pelúcia, o medo e meus segredos. O cheiro da minha roupa de cama, a casa que nunca ficou pronta. O arrastar de chinelos em minha direção, o acender da luz pra me conferir. E meus olhos fechados. Abracei-me forte. Afago carinhoso, beijo doce em minha face e o pedido para levantar. Ainda é cedo, quero ficar mais, está frio, muito frio. Sei que lá fora há gelo por sobre a grama e ainda está escuro.
É a vida…Eu pararia ali naquele tempo. Eu renunciaria a todos esses anos só para poder recomeçar. Só faria questão – se eu pudesse voltar no tempo, de manter em meu coração uma única informação, das que obtive nesses meses passados. Apenas uma única. Porque quem sabe, assim, teria dado tempo de fazer esses anos realmente valerem à pena.
*
Si Meneghinni
*

Quem sabe…

Pensei que não, mas pode ser,

Estar tão longe, não se ver e amar.

Erro meu iludir-me que esqueceria,

Pior ter acreditado que era razão.

Agora nem mais sei, talvez jamais veja,

Talvez nem sequer ouça falar…

Quem sabe agora esqueço se tentar?

Quem sabe eu consiga mentir a mim,

Quem sabe agora e pela eternidade,

Pelo tempo e espaço nesse vazio que me invade,

Eu consiga arrancar esse afeto de dentro de mim.

Ao menos um pouco…

Quem sabe se eu não mais ao céu olhar,

Quem sabe se eu fugir do calor do sol, do seu raiar,

Se a Lua não mais surgir nas noites,

Se as estrelas não mais brilharem,

E se as aves não cantarem,

Se essas coisas não mais acontecerem,

De ti não mais me lembrarei.

Quem sabe se meus olhos não mais marejarem,

Se meu coração não mais acelerar ao ler teu nome,

Se eu não te encontrar mais nas lembranças,

Quem sabe…

Quem sabe meus sonhos desistam de te trazer,

E as noites lindas não me lembrem você,

E se o vento quando meu rosto soprar,

Não me faça teu beijo eu imaginar.

Se nunca mais chover,

Se na primavera não florescer,

Se os campos não trouxerem mais perfume,

Quem sabe assim hei de esquecer.

O dia em que a poesia,

Que em meu peito segura a alegria,

Deixar de nele rimar,

Talvez assim eu esqueça,

E de meu coração desapareça,

O nome daquele que de tão longe

Em meus sonhos se fez amar.

***   ***   ***

Eu, borboleta

***   ***   ***

Aqui estou eu, as seis horas da manhã, ainda pensando em você… Ao som de: More Than Words Can Say – Alias. ( I need you now…More than words can say…)

Olhar de poesia.

Fechei os olhos inalando o ar suavemente, meu coração pulsava ameno…a sensação que me abatia era a de solidão, tão inerente que me abraçava.

Por mais que eu tentasse fugir, seria assim sempre. Meus lábios fartos e pintados de vermelho arriscaram um sorriso baseado em lembranças. Senti-o se aproximar como uma leve brisa, se enroscar em meus cabelos forçando-me a abrir os olhos emoldurados por longos cílios. Olhos que encontraram meu reflexo em sua íris cor de mel. Espelho cálido, fitando meu rosto pálido.

Faltou-me o ar. Olhava-me ternamente, mas com ar de quem triste estava. Intimamente perguntei-me por que. Doce olhar, doce rosto, lembrei-me da voz suavemente forte, seda que me amarrava – canção para meu coração. Mas apenas me olhava, nada dizia.

Onde está o som? Quero ouvir-te! Como o ar que respiro, faltam-me tuas palavras!

E ainda assim, nada dizia. Com sua voz nada dizia. Mas seu olhar era poesia.

Poesia triste, palavras que fariam olhos marejarem. Como os meus que mar aberto eram, desaguando em minha alma que gritava seu nome mesmo sem sabê-lo. Ofegante eu respirava, quis levantar-me, mas não pude. Estava presa naquele olhar.

Meu coração começou a declamá-lo, letra por letra, verso a verso, em meu peito um livro de ilusões se escrevia.

De que me valeria? Por quanto eu me empenharia nessa viagem navegada nesse mar de poesia?

Escreveria, sim escreveria, pela eternidade, que é do amor a idade. Escreveria e declamaria todos os dias a poesia ditada por esse olhar. Renunciaria meus bens, meu destino, em puro desatino encontraria tinta e papel, e gravaria, guardaria. E assim o que seu olhar dissesse, cravado em mim ficaria.

Pura inspiração, eu afirmaria. Como se negar bastasse… mas se em ti, tanto, eu não me encontrasse, se esse olhar amor a mim não afirmasse, minhas letras e histórias de nada valeriam. Minha inspiração é um fato advindo de ti, meu escrever deve a ti gratidão. E meus sonhos fragmentados nesse espaço-tempo testemunham essa inspiração.

E apenas mais um pouco, aqui sentada, sentindo teu olhar tão perto, sua respiração a me soprar, seu perfume a me inebriar, passei a sua voz desejar. E as palavras ditas? Acalma-me com sua doçura, diga-me o porque tudo tem que ser assim, se precisar, minta!

Abriste a boca – pensei, irá falar! Poesias a mim declamar!

Mas apenas aproximou-se, sereno, com esse olhar de mil palavras, seus lábios a quase tocar os meus. Então meus olhos se fecharam perdendo-se dos teus. Sem o som da sua voz, não a ouvi. Até hoje desejo o beijo.

O poeta desvaneceu-se como meus sonhos, e de seus lábios nem sua voz, nem seu gosto. Em mim ficou apenas a inspiração de seu olhar triste, que encontro com meu olhar, quando ele vem me visitar em meus doces devaneios.

“Não é a primeira vez que luto com meu coração…cenas vivas na escuridão, sentindo a sua falta”… -In The Dark – Shaman


*
Eclipse…
Dor. É na chama ardente que se faz luz,
mesmo queimando, desfazendo o coração.
É na dor da distância e do desencontro,
que se faz a luz clara da lua
que reflete a luz ardente e distante
do que um dia foi seu Sol.
O eclipse não é encontro como se imagina,
é sobreposição de vidas em suas sinas,
um momento mais próximo,
a proximidade distante.
E o que por astros era aguardado,
simplesmente já passou, unindo almas,
letras, paixões, emoções e poesia.
Raro, como não poderia deixar de ser.
Corações sobrepostos, amores aflorados,
sentimentos deflagrados.
E foi por tão pouco…mas valioso.
O meu mundo voltou a girar, e o que restou?
La bela luna…
Com seus olhos que um dia brilharam muito,
hoje brilham mais por causa das lágrimas,
água e sal que não são do mar,
que nunca hei de navegar, que nunca a ti me levará.
Bruma, é o direito do que o coração pede, anseia,
a despeito do que se sente.
Lua infinita, em fases sonha,
apenas sonha, e continuará sonhando.
Coração de lua não esquece, na dor se entorpece,
na vida conforta-se, despedaça-se e junta-se.
Calor longínquo de Sol, memórias vívidas
e a lua se fez mais lua. Se fez luz.
Lua eterna, Sol em meu coração, mas só.
Lua solitária que pensou poder voar.
Invejava cores e asas e quis se transformar.
E a borboleta…
Como são frágeis as asas de borboleta!
Ficaram presas entre dedos,
com a força desvaneceram, cederam.
O íntimo desejo e ardente emoção,
sucumbiram ao desalento.
Voaria até ti, pousaria em seu coração,
mas as asas doem…
Meu coração não pode mais, bate pouco.
Porque certas coisas doem tanto?
Gira cosmos, universo que causa eclipses.
Eclipses demoram, luas choram, borboletas pouco duram…
Eterno é apenas o amor sentido,
mesmo que nunca compreendido.
Eterno dentro de mim, dentro de ti.
Durará a vida inteira, longe, distante reluzente,
No beijo jamais provado,
Nas batidas do coração jamais ouvidas,
Nos desejos jamais saciados,
Nos olhares jamais encontrados.
E no amor forte que aqui se encontra, embora nunca consumado,
vedado pelo que impede o fim da distância,
que seja perdoada, por quem criou os luzeiros celestes,
por esse desejo, essa ânsia,
que nunca perderá a constância,
nesse coração que segue batendo por lembranças,
coração de lua, lua breve, borboleta.
Em alguns momentos de nossa vida, momentos de confusa descrença, perdemos os sentidos e pensamos não ter uma saída. Mas o futuro a Deus pertence. E o amor está sempre presente em meu coração. Mesmo parecendo impossível. Quem saberá?

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.